domingo, 6 de fevereiro de 2011

Nos braços do Pai

       
     Em II Crônicas 26 lemos a história do Rei Uzias. Aquele citado em Isaías naquela introdução marcante: No ano em que morreu o Rei Uzias...
Seu reinado foi importante, trouxe desenvolvimento para Jerusalém, foram tempos tranqüilos e prósperos. Mas que fim trágico do Rei Uzias, ao ter um reinado próspero fica tão cheio de si que quebra os preceitos de Deus ao ir oferecer pessoalmente incenso e perante os Sacerdotes é repreendido e acometido de lepra que o afastou do reinado até sua morte. O interessante é que encontramos inúmeras histórias na bíblia sobre homens que Deus ungiu, abençoou grandemente e depois caem. Histórias como Saul que foi escolhido por Deus para ser rei e por sua obstinação em seguir seus próprios passos, Deus declara que se arrependeu de tê-lo escolhido. Como a do grande rei Davi que cai na tentação de contar seus exércitos ou sua conhecida história com a mulher de Urias. Depois seu filho Salomão com toda sabedoria – abençoado a ponto de realizar o que o próprio rei Davi não pode, a construção do templo – tem seu reino dividido e Deus ainda declara que sua descendência só ficou com o que ficou, por consideração ao seu pai Davi.

            Que trágico até desanima ler sobre isso. Mas devemos ter temor da moral destas histórias! DEUS TE UNGIU, DEUS TE ABENÇOOU GRANDEMENTE, MAS SE VOCÊ CONFIAR EM SEUS PASSOS, VOCÊ CAI E SE ARREBENTA!

            Isto não é por querer, é totalmente inconsciente e involuntário. É evidente que eu e você não queremos nos afastar de Deus, como estes homens citados não acordaram um dia e pensaram em desagradar a Deus. O triste é constatar que nem Adão e Eva queriam ficar longe de Deus. O fato é que, como eles, eu e você temos a total liberdade de escolha para nossas vidas e diante de tanta segurança experimentada ao lado de Deus nos sentimos seguros demais a ponto de tomarmos nossas próprias decisões.

            Jesus nos conta a parábola do filho pródigo que ilustra muito bem este princípio. Por sermos cristãos e estarmos servindo a Deus sempre pensamos que podemos nos encaixar em qualquer personagem, menos na do filho pródigo. É que sempre o interpretamos num filho rebelde, desajuizado que deixa a casa do pai e sai pelo mundo. Vamos rever a história e lembrar que este pai é a figura de Deus, então, pai muito sábio. Dedicou-se dês da infância de seus filhos a ensinar, a corrigir e passar toda a sua sabedoria. O Pai, por amar muito seus filhos, se dedicava a cada dia em construir neles valores sólidos que os destacariam em todo mundo. Pense num filho que estava a todo instante aprendendo com o pai, crescendo em sabedoria e entendimento. Tudo que fazia resultava em sucesso, pois seguia os passos de seu pai. Quando passou a sentir seus passos firmes, crendo que já tinha aprendido tudo com o pai, ele toma sua grande decisão de seguir o caminho e acreditar nos passos que ele começou a dar diante do pai. E assim você vai chegar na mesma moral de todas as histórias aqui citadas: O Pai te ungiu, te abençoou grandemente, mas se você confiar em seus passos, você cai e se arrebenta!

            Nosso grande problema é que só vemos que estamos no caminho errado quando nos deparamos com as “alfarrobas” da vida. Enquanto temos as bençãos de Deus, enquanto a herança de nosso Pai nos sustenta, continuamos sentindo segurança em nosso próprio caminho e vamos seguindo. Passa o tempo e, sem darmos conta, começamos a imitar os passos dos que estão ao nosso redor. Fazemos sempre aquilo que de coração acreditamos ser o melhor. E sem a astúcia necessária para viver no mundo, nos enveredamos inconscientemente.

            Este é um difícil aprendizado para todos aqueles que amam o Pai e querem seguir em seu caminho. Pensamos que nosso soberano Pai nos colocou no caminho e impedirá que tomemos decisões erradas ou até mesmo nos buscará de volta no caminho das decisões. Mas somos filhos, feitos a imagem e semelhança de nosso Pai, temos a livre escolha de darmos nossos passos. Se perguntarmos Ele nos responde, mas sempre dependerá de nós acatarmos ou não.

            Quando nos convertemos e recebemos a graça de Deus, sentimos seguros nos braços do pai, nosso mundo se reveste de uma segurança tal que parece que nada, nem ninguém nos afligirá. Somos ingênuos em não saber que a simples decisão de querer dar os primeiros passos já nos faz sair do colo do pai. Quando estamos desfrutando das bençãos de Deus, corremos um sério risco de sentirmos segurança em nossos passos. Damos passos que aprendemos com o Pai, mas não significa estar caminhando com Ele. Fazemos tudo o que acreditamos firmemente ser o correto e o melhor. Fazemos coisas de coração, mas isso ainda não significará estar andando sob sua vontade.

            Mas para Reis Uzias, Davis, filhos pródigos a discípulos, Jesus veio ao mundo e deixou a lição:
 “Naquela hora chegaram-se a Jesus os discípulos e perguntaram: Quem é o maior no reino dos céus? Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles, e disse: Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como criança de modo algum entrará no reino dos céus. Portanto, quem se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no reino dos céus.” Mateus 18.1-4
“Disse-lhes, pois, Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho de si mesmo nada pode fazer, senão o que vir o Pai fazer; porque tudo quanto Ele faz, o Filho o faz igualmente.” João 5.19
            
        Temendo as “alfarrobas” da vida podemos fazer um voto de todas as manhãs acordarmos como uma criança indefesa que encara tudo no mundo pela primeira vez e ter a infatigável humildade de perguntar tudo ao Pai, dependendo Dele em todo instante! E antes do amém da última oração do dia, pediremos para que Ele sonde nossos corações, pois assim estará em tempo de parar pelo caminho e voltar.

Em Cristo,
Jackeline Terra.

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